Era noite, beijo meus filhos minha esposa e vamos dormir! Tudo normal.Amanhece, toca o despertador e acordo estrábico, tonto e com o lado esquerdo do corpo adormecido e sem sensibilidade. E este qu...
Era noite, beijo meus filhos minha esposa e vamos dormir! Tudo normal.Amanhece, toca o despertador e acordo estrábico, tonto e com o lado esquerdo do corpo adormecido e sem sensibilidade. E este quadro dura aproximadamente 60 dias. São sessenta dias de sustos, novas sensações ou a falta delas, muitos exames, muitos médicos e depois de vários “palpites” enfim o diagnóstico: Esclerose Múltipla. O que fazer agora? Quarenta e seis anos e esclerosado. Na minha cabeça isso era doença dos meus avós quando eu era mais novo. Agora essa doença também é minha, só que diferente: nada tem a ver com “caduco”, mas sim com áreas do cérebro que inflamam, geram posterior aparecimento de cicatrizes (as escleroses) e podem resultar em várias coisas: cegueira, paralisia, perda do controle dos esfíncteres, espasticidade e vários outros. Desesperadora a falta de informação, a falta de ter com quem conversar sobre o que é isso, além do seu médico. Aos poucos e com várias consultas médicas a explicação vem tomando lugar da “ignorância”, do desconhecido, do não saber.
Denomina-se ESCLEROSE e Denomina-se MÚLTIPLA: • Áreas do cérebro cerebelo, tronco encefálico e da medula espinhal que são afetadas pela inflamação e posterior aparecimento de cicatrizes (escleroses). • Os sintomas podem ser leves, moderados ou intensos e surgem e de maneira imprevisível.De maneira bem simples é o descrito acima. Claro que é bem mais complexo. Depois desta definição, pensei que estava participando de um “grande bingo”. Teria que ter:• a Felicidade de encontrar o médico certo,• a Felicidade de ter um diagnóstico rápido,• a Felicidade de ter o remédio certo indicado,• a Felicidade de receber este remédio do SUS (que é caríssimo e não é vendido em farmácias comuns),• a Felicidade de que isso tudo espaçasse as crises (surtos) e os tornassem menos intensos.Com tudo isso eu poderia GRITAR “BINGO”. E graças a DEUS eu pude GRITAR. Acima de tudo isso vem de DEUS, não importa a crença. E ele me proporcionou a maior FELICIDADE que tenho que é minha esposa/companheira e meus filhos.Claro que a família toda, os amigos, e clientes são importantes, mas o dia a dia da doença nos coloca frente a frente com o imprevisível. Aí vem a resiliência em suas quatro fases que o palestrante e astronauta Marcos Pontes citou em sua palestra:• Absorção, Adaptação, Superação e Aprendizado.
Tenho a FELICIDADE de estar na última fase, fase esta que não terminará nunca. O aprendizado é diário. E posso garantir que apesar da doença e após ela, a qualidade de vida melhorou. Claro que criei meus limitadores que chamo de “disjuntores virtuais”. Criei cinco. Acredito que cada um crie os seus. Nunca deixo os 5 caírem de vez. Quando sinto que o terceiro caiu, eu paro e recolho o time de campo.Deus me deu a FELICIDADE de conceder-me a SERENIDADE para aceitar aquilo que não posso modificar, CORAGEM para mudar aquilo que posso e SABEDORIA para poder distinguir.
26-08-2008
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